domingo, 17 de janeiro de 2016

Simplesmente...assim!

 https://youtu.be/RKrNdxiBW3Y

A musica para este estranho post...

Olá a todos...
Passou tanto tempo desde o ultimo post..., não tem sido fácil, mas tento todos os dias poder voltar a fazer aquilo que tanto gosto... Não me quero perder com histórias de como tudo falha por vezes, mas antes de como tudo pode começar a correr melhor se tivermos essa força de vontade...
Já mal me lembrava de como é que isto se fazia...
 ...tirar fotos...

 ...editar..., carregar..., etc....,
 ...mas acima de tudo, viver sempre o prazer...
 ...de fazer aquilo que gosto...
 ...ainda que não seja tudo perfeito...
 ...basta lembrar que cada dia que se consegue....
 ...menos falta para que tudo...
 ...aconteça. Tanto tempo fora das "pistas"...
 ...e não deixa de ser curioso...
 ...como ainda sabe tão bem...
 ......transformar o ferro em "ouro"...

 ...ganhando cada bocadinho...
 ...da corrida contra o tempo...
 ...que tanto desaparece...
 ...em dias atarefados...
 ...onde apenas as fotos...
 ...conseguem acreditar...
 ...que o tempo não volta atrás...
 ...embora eu ache...
 ...que se trata apenas de um começo de outra volta...
 ...com uma nova partida...
 ...e onde teremos finalmente...
 ...a melhor oportunidade...
 ...de mostrar aquilo que verdadeiramente somos...
 ...com orgulho e paixão...
 ...recorrendo ao que for preciso...
 ...para encarar tudo de frente...
 ...e andar a fundo...
 ...no caminho certo!
 Viver cada dia...
 ...e cada momento...
 ...como se fosse o ultimo! Sem dramas...
 ...e sempre com um sorriso...
 ...porque se realmente valer a pena...
 ...acontece da melhor maneira.
 Nunca desistir...
 ...acreditar...
 ...e continuar até conseguir.
 Os Clássicos são parte da minha vida...
...e ainda...

...não estou pronto para desistir!!!

Este post é apenas o anuncio de um regresso, dai estar tão subjectivo, mas em breve vou surgir com os tais post's técnicos que tanto me têm pedido.
Mais uma vez, obrigado a todos vós, mesmo a quem não consegui corresponder da melhor maneira...
Grande abraço.
Até Breve.

Rui Tiago

Apreciem esta...: https://youtu.be/75RiHJGfyUE

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Willys- A história de um Bravo...

   A musica: http://youtu.be/KfxqZagHXbM?list=RDKfxqZagHXbM

 ...O vento gelado madrugava com os primeiros raios de luz. John estava deitado na erva alta junto a um velho e triste carvalho, que tantas vezes cobrira de sombra os jovens namorados, onde, com suas declarações de amor,  sobejavam de vaidade  a beleza das muitas raparigas das redondezas naqueles tempos. Essas agora distantes lembranças das tardes mornas de verão, de leves tons dourados, finalizadas com  noites brilhantes e de maravilhosos luares salpicados de perfume pelas brisas que percorriam toda a planície, vindas do sul quente, eram apenas e só, réstia das histórias de outros tempos, de campos e eiras cheias de gente, de trigo e  de cevada, onde os habitantes das pequenas aldeias em redor se perdiam nas longas tardes de primavera com os seus afazeres e rotinas de labuta do campo. Por um breve momento, John conseguiu mesmo cheirar os distantes aromas ciprestes e florais que inundavam então as várzeas. Por um momento apenas..., a vida parou! O mundo não se mexeu..., o céu coloriu-se de azul..., a brisa... fresca e  perfumada sussurrava doces melodias com a terra..., quente e soalheira,  e ali se detiveram, imóveis..., para que fosse possível a John sentir o que antes seria a vida naquele sitio... Naquele breve momento apenas, John fez realmente parte daquela paisagem, daquele sonho...
A chuva fria que lhe escorria pelo rosto denunciava porém uma outra realidade, onde o sonho não tem espaço, onde a vida não tem tempo e o fim está sempre perto. O rugir próximo dos belicosos tanques alemães lembrava a John que muito caminho faltava ainda para alcançar o seu destino, e embora perdido numa terra estranha, sem qualquer meio de ajuda, tinha que conseguir chegar ao seu objectivo, agora que duas madrugadas passavam desde o seu difícil desembarque na praia de vierville-sur-mer... John vira muitos dos seus camaradas morrerem mesmo a seu lado nesse dia, mas por milagre ou destino, conseguiu chegar aos planaltos de Tréviers e dai continuar a pé para Caen. A missão de seu grupo passava por encontrar as forças rebeldes Francesas em Lisieux e ajudar a controlar o que restava dos acessos a Rouen, especialmente as frágeis pontes de pedra que os alemães iam destruindo á medida que recuavam... Era vital que conseguissem estabelecer uma linha de transporte para as tropas que desembarcavam nas praias... O sucesso de toda a operação estava agora nas suas mãos... Após o ultimo encontro com as tropas alemãs, John ficou ferido com gravidade na perna, que teimava em sangrar copiosamente, ainda que tivesse aplicado todo o tipo de conhecimentos médicos de emergência que aprendera ainda no tempo de recruta, lá longe, na sua terra natal. Sem saber do resto do seu pelotão, John vagueava  sozinho de planície em planície, sempre com o cuidado de evitar as mortais patrulhas de infantaria alemãs, que ainda surpresas com o ataque aliado, goravam em defender o território como uma fiel e mortal herança de que não se abdica nem com a própria vida. Os combates eram sangrentos..., sem esperança de poder acordar da realidade e viver o sonho..., apenas a morte pelo caminho... era preciso não desistir... a guerra reclamava os seus mortos, e apenas alguns iriam escapar ao inferno de fogo e destruição que se aclamava aos céus... A devastação era tanta que, ninguém pensaria em voltar aquele sitio depois de tudo isto. Cinzas e pó era tudo o que restaria depois daquele dia...
John estava só..., delirante com dores..., conseguia esporadicamente organizar os seus pensamentos, e quando conseguia, tentava desesperadamente delinear um plano de fuga, mas John apercebia-se cada vez mais de que apenas um milagre o poderia tirar daquele inferno. A sua respiração tornara-se ruidosa e descompassada, a ansiedade de ser descoberto fazia-o tremer de medo, com poderosas descargas de adrenalina que lhe aumentavam a cada segundo a necessidade de fugir, mas como? John precisava de algo que o ajudasse, mas... , um brilho..., um leve brilho escorreu através da planície, vindo de uns arbustos do outro lado da clareira onde acabara de entrar, que tinha ainda bem vincadas as furiosas marcas dos últimos combates. O fumo ascendia aos céus em grossas colunas de negro e de  espesso bafo, mas ainda assim John decidiu investigar o que seria aquele monte de escombros, pejados de toda a espécie de mortandade, onde tantos perecerem e agora apenas o metal ficava para memória. Onde tantos jovens abdicaram de suas vidas para que outros tantos pudessem sentir as liberdades de uma guerra inutil. Um arrepio profundo assombrou John quando viu que quase toda a sua companhia jazia entre os destroços. Se antes conseguira de algum modo escapar entre as bombas, tinha agora porém a confirmação que estava só na sua demanda. Ninguém lhe valeria daqui em diante. Era ele e só ele, no meio do caos e terror que se instalara... A meta parecia cada vez mais distante..., mas um pequeno veiculo destacava-se no meio da imensidão de ferro torcido e retorcido, que apesar de estar todo crivado de buracos das balas alemãs, parecia ser o bastante para John conseguir chegar ao seu destino, bastava para isso apenas evitar as patrulhas hostis...
Apesar das muitas marcas dos tiros nos vidros e carroceria, o pequeno Jeep parecia estar ainda em condições de trabalhar, e embora John nunca tivesse conduzido nenhum, era demasiado urgente que se pusesse ao caminho antes de sequer pensar nisso. Um gentil toque no pedal foi quanto bastou para ouvir o pequeno motor de 4 cilindros roncar suavemente no meio daquela paisagem tão desolada, e logo depois, o engrenar da primeira velocidade garantiu a John que sairia dali para fora antes que outra patrulha alemã chegasse.
Os 40 km's que o separavam de Rouen foram ultrapassados com rapidez, salvando um ou outro momento para se esconder das tropas inimigas. John conseguiu realizar a sua missão, alertando as forças da resistência de que a ajuda estava a caminho, e que restariam apenas alguns dias até que as forças do Reich se rendessem. O rumo desta ultima grande guerra do século estava agora nas mãos das tropas aliadas, que graças a soldados como o John conseguiram vencer perante tanta dificuldade. A história seguiu o seu rumo, e John acabou por regressar a casa, herói, cheio de medalhas e condecorações que atestam sem margem de duvidas a sua bravura e destreza em batalha, que testemunham o seu heroísmo e valentia como soldado e como homem, mas o que John não esquece é esse pequeno jeep willys que lhe salvou a vida e a guerra, esse mesmo pequeno jeep que ficou por terras de França, esquecido, quando voltou para casa, quando regressou para junto de sua família, quando toda a sua idade se transformou numa vida cheia de memórias e significado.
John viveu até aos 88 anos, gerou uma família numerosa e feliz, mas apesar de seu grande amor ser a  recentemente falecida esposa Suzie, com quem partilhou os últimos 60 anos de felicidade, jamais esqueceu aquele "pequeno grande" jeep que lhe salvou a vida durante a guerra...!Quando John se despediu..., e sem esquecer esse pequeno jeep que encontrara abandonado numa qualquer várzea de França, pensou baixinho; Obrigado..., obrigado Willys por me teres salvo. Obrigado por me teres possibilitado a minha vida..., jamais te esquecerei...
Infelizmente John nunca mais viu o pequeno Willys. Jamais soube o que lhe aconteceu, ou o que foi feito dele...
Até hoje...
De perdido em França, este Willys veio "parar" a Portugal, e assim que me for possível, farei um post digno desta máquina. A história de apresentação é apenas ficção, mas a história verdadeira deste carro não lhe fica muito atrás. Foi todo reconstruido em França em 1996, e dai para Portugal, onde tem estado parado há 9 anos...
Não é fácil ver este tipo de quilometragem num carro, mesmo depois de ter sido totalmente reconstruido...
Creio que muita haverá para dizer acerca deste automóvel. É sem duvida a história de um Bravo...

Para breve.

RT

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mini - Reparação das bombas de embraiagem.

Bom dia. A musica... 

http://youtu.be/rMltoD1jCGI

A embraiagem do Mini é um assunto tenho tentado mostrar em detalhe, mas enquanto não surge a oportunidade de o fazer em condições, aproveito para vos mostrar um outro aspeto da embraiagem que nem sempre é conhecido: As bombas principal e auxiliar do comando hidráulico da embraiagem. Existem vários sintomas que podem indicar uma falha neste sistema, desde fuga de óleo ou um pedal anormal (muito rijo ou muito macio), ou ainda como neste caso, falta de pressão progressiva, que obrigava o Mini a arrancar, mesmo que o pedal estivesse todo em baixo. Por norma, quando isto acontece, pode significar que existe uma fuga de óleo no circuito, e o melhor a fazer é começar por verificar o mais simples: A bomba auxiliar!
Situada por cima da tampa da embraiagem, esta bomba é de facto muito simples de reparar, e mesmo que não esteja a verter...
...a queimadura da tinta do motor indica que algo não está bem. O óleo da embraiagem (igual ao dos travões - DOT4) é abrasivo para a pintura, mas é facilmente removido com água.
Ainda antes de desmontar, os sinais eram evidentes. se já não está, pouco falta...
Começamos por tirar a mola de recuperação...
...e podemos desapertar estes dois parafusos chave 9/16" (14mm) que fixam a bomba...
...e confirmar as suspeitas. Vamos reparar o que for necessário...
...e podemos desde já desapertar o tubo de metal na saída da bomba principal. Não é de todo necessário que o façam, mas uma vez que também pretendo tirar  a bomba central, escusa de ficar a pingar óleo até esvaziar o depósito. Para evitarem de tirar o tubo, basta tapar a outra extremidade...
...que fica aqui, onde liga ao tubo flexível. Reparem na chave própria para tubos de travão/embraiagem. O anel é cortado para poder passar o tubo, mas o contacto com a porca é o maior possível, para evitar moer o sextavado. Podem usar uma chave de bocas normal, mas tentem não arredondar a porca, ou aumentam consideravelmente o tempo de reparação, já para não falar no mau aspeto que dá uma porca toda marcada do alicate de pressão.
Já com o tubo de metal fora, desapertamos a porca que fixa o de borracha á carroceria... (chave de caixa 24mm.). Por esta altura já podemos tirar o tubo do sitio...
...e com a bomba presa ao torno, podemos limpar a ferrugem do cilindro o melhor possível...
...seguida do freio...
...e com a ajuda de um pano, podemos então bater o necessário...
...para esvaziar o interior da bomba. Podem usar o ar comprimido no tubo para fazer isto, mas tentem não perder o piston e muito menos magoarem-se ou magoar alguém. Se o piston estiver preso, a pressão do ar pode fazê-lo sair com bastante força, e acreditem que pode aleijar... Caso o queiram fazer, virar a bomba para baixo é de certeza uma boa ideia...
Com ou sem ar, é isto que queremos ver. O piston, a borracha e a mola.
A borracha 7/8"...
Com a bomba vazia, podemos passar uma lixa média...
...e uma fina, até...
...ficar mais ou menos assim. O interior da bomba deve estar liso e sem marcas de espécie alguma. se não for o caso, substituam a bomba ou vão ter uma fuga em breve...
Kit de borrachas novas...
...e apesar de não ser assim tão óbvio, a borracha velha (esquerda) já tem as arestas bastantes arredondadas, o que é sinal de desgaste típico do uso...
A montagem é inversa, e caso possam, montem a borracha com lubrificante. Eu gosto de usar este, mas vaselina ou o próprio óleo de travões também servem. Massa consistente ou óleo de motor não são opção...
Tudo montado e pronto para ir para o sitio, mas antes...
...aproveitem para verificar isto. Sem a bomba e a mola no sitio é bem mais fácil perceber se existe folga entre o parafuso e a haste. Existe um valor exato para esta folga, mas desde que tenha 1 mm já fica bem. Montamos a bomba auxiliar e passamos...
...para a bomba central da embraiagem. (direita na foto) Nota: Apesar de aspeto semelhante, as bombas centrais dos travões NÃO são iguais ás de embraiagem. Se não tiverem uma bomba central de embraiagem, não tentem usar uma de travões. Vai ficar montada com a tampa para a frente, a bater na outra, mas pior do que isso, o funcionamento interno não é igual. A bomba central da embraiagem é de actuação simples e é precisamente isso que devem usar...
Podemos então começar por desapertar as duas porcas de fixação e o tubo...
...e depois a cavilha do pedal. Para quem nunca fez isto, esta parte pode ser uma verdadeira dor de cabeça, mas com calma tudo se faz. Tem que se tirar o freio da cavilha e depois puxa-la para fora. É simples, mas se a cavilha estiver calcinada ou o freio não quiser sair, a falta de espaço e a posição incomoda podem fazer "saltar a tampa" com facilidade. Um alicate de pontas, um pouco de WD40, uma gambiarra e...,  musica da boa. Quando sai bem é uma maravilha, mas quando começa a "embrulhar", o melhor é pararem um bocadinho, respirar fundo e pensarem que há coisas bem piores na vida do que tirar uma cavilha. De tudo o que existe de complicado e difícil no Mini, isto pode estar no topo da lista. Tentem não stressar demasiado, porque depois da cavilha sair, tudo se torna bem mais fácil...
Bomba no torno, guarda pó virado ao contrário e ...
...já está! Freio cá para fora...
...veio solto...
...duas pancadinhas e está feito! Já chegamos a meio do caminho!!!
A causa disto tudo! Um corte na borracha deixava escapar o óleo do circuito de pressão, e embora não pingasse para dentro do carro ( existe uma segunda borracha que veda o óleo em caso de falha desta), era o suficiente para que a pressão baixasse na bomba auxiliar e tivesse o mesmo resultado que tirar o pé do pedal. Com uma mudança engatada, ao fim de uns segundos com o pedal da embraiagem em baixo, o Mini começava a andar, e claro que se pode tornar complicado em certas situações, especialmente em filas de trânsito ou a estacionar. Limpa-se tudo como deve de ser...
...montam-se as borrachas novas no sitio e repete-se tudo pela ordem inversa.
Sangrar o circuito é fácil, basta "injectar" (carregar no pedal repetidamente), depois carregar a fundo, abrir a purga da bomba auxiliar (com o pedal sempre no fundo), deixar sair o ar e o óleo, fechar a purga (só depois é que se tira o pé do pedal) e repetir a operação até que saia só óleo e o pedal ganhe a pressão normal. Os salpicos do óleo da embraiagem lavam-se com agua abundante.
Verifiquem o nível de óleo no deposito da bomba (cheio até ao cimo) e já está.
Mais um Mini pronto para a estrada!!!

Obrigado

RT