quinta-feira, 12 de abril de 2018

Depois do dilúvio...

 Boas!

Jethro Tull...https://youtu.be/B0jMPI_pUec


Com motores abertos por tudo o que é oficina...
 ...não há tempo nenhum para pensar. Tal como em competição, a "equipa" tem que estar "toda" em perfeita sintonia...
 ...com o máximo de cuidado nos detalhes, que podem ser mais de 1275 coisas diferentes...
 ...para garantir que nada, mesmo nada..., possa falhar! É um percurso de 1098 passos...
 ...até conseguirmos superar o nosso próprio Rekord...
...para garantir que nada vá por agua abaixo...
 ...caso surja alguma distracção ou imprevisto...
...ou lá teremos que voltar ao inicio mais uma vez....

Ainda assim acho que não nos podemos queixar muito do que temos conseguido, uma vez que só temos um mecânico, um bate-chapa, um pintor, um preparador, um electricista, um estofador, um orçamentista, um estagiário, um recepcionista, um responsável pelas peças, um contabilista, um assistência externa, um telefonista, um engenheiro e um chefe! 
E é que mesmo assim com tantos, ás vezes ainda pareço tão pouco...

De vez em quando temos que nos rir de alguma coisa, porque mesmo em pouca quantidade, um bocadinho de humor faz sempre bem á alma...
Com calma isto até vai...

RT


terça-feira, 3 de abril de 2018

Cross drilled - Tão simples e tão eficaz...

 Boa noite.

Harvest Moon..., Mr. Neil Young...https://youtu.be/n2MtEsrcTTs

Apesar do pouco tempo tão característico do meu dia dia, de vez em quando, lá vou dando a volta aos tais motores "esquecidos" que andam por aqui... Hoje calhou a um "velho conhecido" meu, que por estar parado há já tanto tempo, já pouco ou nada me lembrava do que se tratava. Tinha quase a certeza que era algo "fora do comum"...
Assim que a tampa saiu, fiquei ligo mais bem disposto. Tantos anos (e abusos...) depois, este 1275 ainda tinha tão bom aspecto...
...e fiquei até algo espantado quando vi isto. Já nem me lembrava que fazia isto aos volantes assim há tanto tempo....
...e os sinais da "veteranice" não ficaram por ai..., Ultimamente tenho apanhado tantas "rafeirices", que ver uma cambota/volante com este aspecto até me faz desconfiar..., tão limpa..., massa cobreada..., sem marteladas ou marcas...., bom demais para ser verdade...
...e ainda por cima, uma embraiagem que saiu como manda o manual. Sem truques, falhas ou manhas..., simplesmente como tem que ser... 
...e até custa a acreditar que mais de uma década se passou desde que vi isto pela ultima vez. Quando montar pré A em cima de A+ ainda era "terreno instável"... 
...eu lá me desenrascava, e se por este lado era fácil, pelo lado do distribuidor electrónico já era mais traiçoeiro, e ainda que de uma forma meramente amadora... 
...nunca deixasse nada ao acaso. "Center oil pick up pipe" quando ainda eram novidade, pelo menos por cá..., e depois....
...,depois isto! Qualquer adepto mini sabe que AEG significa material bom. Neste caso umas bielas de "moentes pequenos"...
...mas também uma cambota "cross drilled", ou em português, "furação cruzada". Aqui convém explicar o que é que isto significa. Os furos de lubrificação das bielas (ou moentes de bielas...) nas cambotas tradicionais são apenas um por biela, e por uma questão de facilidade/custo de fabrico, são feitos na diagonal entre as chumaceiras da cambota (moentes/apoios de cambota...) e as de biela, mas, em elevadas RPM (rotações por minuto), sofrem um efeito de centrifugação tão grande, que pode levar o óleo a escapar-se com muita facilidade entre as peças, deixando as capas de biela e a cambota sem a lubrificação adequada. Para corrigir essa falha ( que destrói um motor em menos de nada...), a fábrica lançou para os modelos de maior performance ( Cooper S e 1300 GT's ((ADO16))...), as cambotas "cross drilled", que basicamente tinham dois furos de lubrificação em cada biela, mas em formato "T", ou seja, o canal original era atravessado por um canal perpendicular, e o furo central (topo do T) era tapado, eliminando dessa forma hábil, o efeito centrifugo que fazia o óleo desaparecer na pior altura... Geralmente, aliada a esta característica, havia ainda o facto de a maior parte destas cambotas serem fabricadas em aço especial (EN40B) e tratadas (nitradas com gás ((Nitrogénio numa base de Amónio)) e endurecidas com calor...) com um cuidado muito especial, uma vez que teriam mais possibilidades de trabalharem em regimes consideravelmente mais elevados. São facilmente identificáveis por terem dois furos de óleo em cada biela, como na foto de cima...
...e nesta. Reparem que ambas as fotos são do mesmo moente de biela, mas os dois furos estão em sítios diferentes da cambota.

Ainda não sei bem de onde veio este motor, mas não há duvida que me deixou com um sorriso muito maior, porque não é todos os dias que algo deste género nos passa pelas mãos. Já naquela altura (anos 60...) isto era pouco comum, quanto mais nos dias de hoje, ainda por cima em STD... 
Gostei...!!!

RT

sábado, 24 de março de 2018

Conversão de discos Metro para jante 10

 Bom dia.

Pearl Jam...: https://youtu.be/hbpUfWz-rlc

Hoje quero apresentar um assunto que, apesar de já amplamente debatido, parece estar novamente a levantar algumas questões, sobretudo ao nível da facilidade/utilidade que tem na prática: A conversão de discos de travão do Metro (sólidos) para jante 10, com recurso a pinças do Fiesta MK1.
Começo por explicar que nunca usei esta aplicação (mas apenas porque nunca calhou...), mas lembro-me de ser bastante popular em meados dos anos 90, quando os discos 1275GT/Cooper S não eram assim tão fáceis de encontrar como actualmente, ou talvez porque a facilidade de obter mangas de eixo Metro e pinças do Fiesta MK1 ainda era alguma...
Apesar de bastante diferentes, ambos os conjuntos possuem as mesmas características principais, como a furação das jantes e tipo de montagem nas braços de suspensão (no caso do Metro, só após receber as rótulas de 17mm dos Metros MK1 http://www.all4classic.pt/index.php?route=product/product&path=1_2_23_124&product_id=308), porque ao contrário do que tenho visto por essa net fora, as mangas de eixo dos Austin/Morris ADO16 (1100 ou 1300) não partilham a mesma furação das jantes e as rótulas (maiores do que as do Mini...) estão muito mais afastadas uma da outra, o que vai alterar bastante a geometria básica da suspensão e provocar Cambers muito duvidosos. Na minha opinião, se houver necessidade de adaptar uma travagem qualquer, a do Metro é o limite....
Contudo, também convém observar que adaptar as pinças do Fiesta nos cubos (mangas de eixo) do Metro também não é assim tão linear como isso, e apesar de não ser difícil de fazer, o melhor é sempre calcular muito bem os gastos da operação, porque nos dias de hoje, um kit de travagem de disco para jante 10 já não é assim tão caro ou sequer difícil de encontrar ...   http://www.all4classic.pt/index.php?route=product/product&path=1_2_23_124&product_id=1688
Para começar, convém definir o que queremos fazer, ou seja, instalar jantes de 10 polegadas na travagem Metro, e a melhor maneira de o fazer (outra vez, isto é somente a minha opinião...), é considerar as jantes originais de ferro, pois se estas jantes servirem, tudo o resto também serve, e dessa forma não ficam limitados a alguns modelos de jantes, que em muitos casos foram desenhados apenas com esse objectivo, mas que tornam a montagem dos pneus num verdadeiro pesadelo, porque essas jantes simplesmente não possuem o espaço interior necessário à montagem dos pneus, para que possam ser montadas em quase todo o tipo de cubos "adaptados", ainda que isso muitas vezes custe a vida dos próprios pneus quando estão a ser instalados, embora alguns entusiastas ainda considerem que mais vale comprar essas réplicas do que restaurar jantes antigas, só porque são mais "baratas"e são "iguais" ás originais... Enfim.., opiniões à parte...   
 ...o principal problema que temos que ultrapassar nesta operação é este: o espaço disponível entre as pinças e as jantes. No caso da travagem de 7" (Cooper 997& 998) ou na de 7,5" (Cooper 1275 S ou 1275 GT) é mais do que o suficiente para as tais jantes "normais"... 
                                      
 ...mas assim que tentamos os cubos do Metro, o caso muda logo de figura. As pinças do Metro simplesmente não cabem dentro das jantes... 
 ...e embora fosse muito melhor usar os 4 pistons por roda...
 ...o espaço disponível simplesmente não permite. É neste ponto que começam as alterações...
 ...que se por um lado parecem simples...
 ...por outro também têm alguns "truques" que convém prestar um pouco de atenção! Os discos do Metro (8,4") são quase do mesmo diâmetro interior da jante... 
 ...e assim que montamos as pinças Fiesta MK1, ficam ainda mais apertados...
...e apesar da adaptação das pinças nas mangas de eixo ser relativamente simples, exige alguns cuidados. Para começar, temos que alterar os furos originais da manga de eixo, (alargando o furo/rosca), para que o parafuso (da pinça Ford) passe á vontade e se possa apertar a pinça á parte de baixo dos suportes (lado do disco), a seguir será necessário rectificar/desgastar o suporte da pinça (entre as fixações) para que sirva livremente no cubo ( 3,5 a 4 mm devem bastar...)  e por fim temos que rectificar o diâmetro do disco do Metro de 8,4" para 8,1", ou seja, de 21,33cm para 20.5cm (aprox...), para que haja algum espaço entre os discos e as pinças. De seguida podemos verificar o alinhamento pinça/disco (montar as pastilhas Ford e experimentar o disco)...
 ...para garantir dessa forma o disco fica centrado nas pastilhas do Fiesta. O passo seguinte é montar tudo a valer e confirmar que todas as alterações estão bem feitas e funcionam na perfeição, sem que nada roce ou fique desalinhado. Por fim...  
 ...a questão dos tubos, que no caso do Fiesta são em milímetros. Aqui acho que não há muito a saber, pois basta fazer uns tubos com rosca em polegadas do lado do charriot e em milímetros do lado da pinça. Existem muitas casas que fabricam tubos (de preferência em malha de aço...) com qualquer tipo de especificação do cliente, e basta levar um tubo do mini e uma pinça do Fiesta para que o técnico saiba o que tem a fazer...
Mais uma vez, espero que o post tenha sido útil, e caso tenham alguma duvida, terei muito gosto em ajudar no que me for possível.

Nota: As fotos são meramente ilustrativas e nenhum alteração (ou limpeza...) foi feita nas peças usadas no post, mas assim que possível, farei um conjunto funcional para poder mostrar tudo em pormenor.

RT

quarta-feira, 21 de março de 2018

Mini 850 - Small bore power

 Boa noite...

Pink Floyd...: https://youtu.be/qiaF4kuxJco

De volta ao 850 "Café Racer"..., as "novidades" surgem aos montes, e se por um lado o motor parece  afinal muito melhor do que aparentava...
...por outro, quanto mais pesquiso acerca deste assunto "850 race", mais preocupado fico, pois como habitualmente, existem "toneladas" de informação acerca desta versão, só que no geral não é lá muito positiva...
O motor 848cc foi desenhado para aguentar cerca de 30 Bhp e nunca teve em consideração a competição, mas no entanto foi amplamente usado nos anos 60, 70 e até 80, com potências que chegavam aos 65CV (aproximadamente), mas de uma forma completamente absurda nos dias de hoje. Basicamente usavam uma mistura de Bloco/cambota/pistons e bielas do 970S, com cambota da ST (AEG 515 - Special Tuning) e uma mão cheia de truques e invenções que hoje transportariam este projecto para um nível milionário...
Felizmente, neste caso a ideia não é a competição, mas sim tornar o pequeno 848 um pouco mais potente e divertido, mas dentro do limite da fiabilidade, que, como tenho vindo a constatar, é de facto muito baixa... Um 998 A era bem mais forte e potente, mas ao mesmo tempo demasiado fácil... De qualquer maneira,  como também temos aqui material suficiente (que de outra forma não teria uso...), vamos tentar um 850 "soft tuned", mas somente pelo desafio e prazer de fazer/conduzir o que sabemos desde o inicio ser obsoleto e ultrapassado. É mesmo uma questão de diversão e nostalgia...
Adquirido à uns 15 anos, este 848 tem estado parado desde então, aliás, nunca o vi a trabalhar, mas tal como na noite de Natal, as "surpresas" não tardaram...
...embora nem todas fossem assim tão más. Mais do que o bom aspecto interior, todos os componentes saíram como era devido, e tudo aparenta estar em bom estado, o que é algo invulgar para um motor com 50 anos...
Com marcas de já ter sido "aberto", o conjunto parece pouco ou nada ter sido usado depois disso, e acima de tudo, de ter sido "mexido" por quem sabia o que estava a fazer... O cheiro a cola "Curil" invadiu o espaço assim que a tampa lateral saiu, mas como a a maior parte de vocês sabe, uma junta daquelas raramente sai inteira, ainda para mais ao fim de tantos anos apertada no sitio...
...sinal de que nem tudo está perdido. Os freios das porcas sem marcas dizem-me que este motor, ou foi muito bem tratado, ou nunca foi assim tão "remexido"...
 ..., mas só saberemos mais depois de "desinfectar" tudo e mais alguma coisa. Para já, o bloco (12A450) vai ser a nossa base de partida, uma vez que vai adaptar os 3 bronzes de Cams (embora só usem um do lado do carreto)...
 ...mas ainda assim, vamos aplicar alguma "ciência"...
 ...de que já raramente se fala. "Camshafts" com "lobes" de 3/8 é coisa que já não se usa, mas mais do que um motor, queremos construir uma "máquina do tempo", que nos vai fazer pegar em muito material NOS ( New Old Stock - Ou como se diz em Português, Antigo, mas novo...), que já anda pelas prateleiras à demasiado tempo e dar-lhe algum uso, tal e qual como se estivéssemos em 60 e qualquer coisa...
...e tentar não partir isto tudo! A cambota original (12A670 - EN16T - "Ponta cónica normal") não é muito dada a grandes RPM's, mas uma vez que isto é meramente pura diversão, vamos tentar  não exagerar... Basta ter em mente que naquela altura havia material deste que nunca mais acabava, e que hoje em dia já não é bem assim...
"Small bore Power"..., Castiço!!!
RT

sexta-feira, 16 de março de 2018

Mini 850 "Café Racer"...

Bom dia. 

Musica a sério...: https://youtu.be/06j9QR7XjLA

Ainda que numa altura pouco recomendável, um desejo antigo começa finalmente a ganhar forma... O "Small Bore Power" já é um projecto a sério, e embora ainda esteja no inicio...  
...o caminho a seguir já está traçado. Um Mini 850 "Café racer"...
 ...que apesar de partilhar um conceito do mundo das motos ( das quais também gostamos...)...
...espelha muito bem o que queremos fazer! A ideia não é tanto ganhar alguma espécie de corrida, mas dentro dos nossos limites, queremos uma máquina agradável e capaz de algumas emoções. Claro que muito depende da "maneabilidade/condução" do carro, porque "andar" não vai ser a melhor das suas qualidades...(comparado com o que se pode fazer com um 1275...), mas vamos apostar alguns "trunfos" escondidos...
...que apesar de agora obsoletos, ainda funcionam... A velha "629"...
...vai desaparecer, e dependendo do resultado do bloco (bielas e pistons e cams que arranjarmos...)...
..., uma 295...
..."double spring"...
...ou uma "202"...
...mais ou menos "adaptada", vai ser a nossa escolha!
As diferenças são grandes, e embora hoje em dia pouco ou nada se fale disto, neste motores "pequenos" tudo conta... 
 ,...até porque naquele tempo existiam de facto diferenças no "hard core"...,
 ...pois afinal de contas era uma época sem electrónica, onde os HP's surgiam exclusivamente do metal e da sua preparação, e é nesse nceito que vamos recair, porque apesar de reconhecermos a vantagem dos "bits per sec...", no fundo acoinda continua ser uma questão RPM's e coragem....
Vamos ver no que dá...
Old School still cool..., sempre a acreditar!!!
RT

P.S. - Os melhores 6:40 minutos da vida de uma pessoa:...https://youtu.be/ElZmD78VD7g Desfrutem!!!