terça-feira, 3 de abril de 2018

Cross drilled - Tão simples e tão eficaz...

 Boa noite.

Harvest Moon..., Mr. Neil Young...https://youtu.be/n2MtEsrcTTs

Apesar do pouco tempo tão característico do meu dia dia, de vez em quando, lá vou dando a volta aos tais motores "esquecidos" que andam por aqui... Hoje calhou a um "velho conhecido" meu, que por estar parado há já tanto tempo, já pouco ou nada me lembrava do que se tratava. Tinha quase a certeza que era algo "fora do comum"...
Assim que a tampa saiu, fiquei ligo mais bem disposto. Tantos anos (e abusos...) depois, este 1275 ainda tinha tão bom aspecto...
...e fiquei até algo espantado quando vi isto. Já nem me lembrava que fazia isto aos volantes assim há tanto tempo....
...e os sinais da "veteranice" não ficaram por ai..., Ultimamente tenho apanhado tantas "rafeirices", que ver uma cambota/volante com este aspecto até me faz desconfiar..., tão limpa..., massa cobreada..., sem marteladas ou marcas...., bom demais para ser verdade...
...e ainda por cima, uma embraiagem que saiu como manda o manual. Sem truques, falhas ou manhas..., simplesmente como tem que ser... 
...e até custa a acreditar que mais de uma década se passou desde que vi isto pela ultima vez. Quando montar pré A em cima de A+ ainda era "terreno instável"... 
...eu lá me desenrascava, e se por este lado era fácil, pelo lado do distribuidor electrónico já era mais traiçoeiro, e ainda que de uma forma meramente amadora... 
...nunca deixasse nada ao acaso. "Center oil pick up pipe" quando ainda eram novidade, pelo menos por cá..., e depois....
...,depois isto! Qualquer adepto mini sabe que AEG significa material bom. Neste caso umas bielas de "moentes pequenos"...
...mas também uma cambota "cross drilled", ou em português, "furação cruzada". Aqui convém explicar o que é que isto significa. Os furos de lubrificação das bielas (ou moentes de bielas...) nas cambotas tradicionais são apenas um por biela, e por uma questão de facilidade/custo de fabrico, são feitos na diagonal entre as chumaceiras da cambota (moentes/apoios de cambota...) e as de biela, mas, em elevadas RPM (rotações por minuto), sofrem um efeito de centrifugação tão grande, que pode levar o óleo a escapar-se com muita facilidade entre as peças, deixando as capas de biela e a cambota sem a lubrificação adequada. Para corrigir essa falha ( que destrói um motor em menos de nada...), a fábrica lançou para os modelos de maior performance ( Cooper S e 1300 GT's ((ADO16))...), as cambotas "cross drilled", que basicamente tinham dois furos de lubrificação em cada biela, mas em formato "T", ou seja, o canal original era atravessado por um canal perpendicular, e o furo central (topo do T) era tapado, eliminando dessa forma hábil, o efeito centrifugo que fazia o óleo desaparecer na pior altura... Geralmente, aliada a esta característica, havia ainda o facto de a maior parte destas cambotas serem fabricadas em aço especial (EN40B) e tratadas (nitradas com gás ((Nitrogénio numa base de Amónio)) e endurecidas com calor...) com um cuidado muito especial, uma vez que teriam mais possibilidades de trabalharem em regimes consideravelmente mais elevados. São facilmente identificáveis por terem dois furos de óleo em cada biela, como na foto de cima...
...e nesta. Reparem que ambas as fotos são do mesmo moente de biela, mas os dois furos estão em sítios diferentes da cambota.

Ainda não sei bem de onde veio este motor, mas não há duvida que me deixou com um sorriso muito maior, porque não é todos os dias que algo deste género nos passa pelas mãos. Já naquela altura (anos 60...) isto era pouco comum, quanto mais nos dias de hoje, ainda por cima em STD... 
Gostei...!!!

RT

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