domingo, 7 de setembro de 2008

Ford A 1928. O eixo traseiro...

Como vos tinha dito no ultimo post, o primeiro dia do mês de Setembro de 2008 iria ficar para a história como o dia em que montei o meu primeiro diferencial de um Ford A.
Não são os seus 80 anos de vida que tornam este carro dificil ou temivel de mexer, mas sim o receio de não voltar a ter o previlégio e o prazer de mexer em mais algum, uma vez que já são raros...Por este motivo decidi aproveitar esta hipótese como se fosse a ultima, e devido ao que aprendi durante o trabalho, talvez tenha sido mesmo...Durante uma revisão de rotina, o Rafael detectou que uma das rodas traseiras apresentava uma folga nos rolamentos, o que á partida seria simples de reparar...
Na realidade, o que aconteceu foi algo muito diferente, pois assim que começámos a desmontar, começámos a descobrir que antigamente os carros eram construidos para andar, mas tambem para serem arranjados por qualquer um numa garagem lá em casa..., ou até no meio de lado nenhum se fosse o caso...
A desmontagem simples e básica levou a isto: Foi tudo desmontado e reparado peça por peça, pois era fácil...As pequenas folgas, os desgastes e até as marcas do uso foram reparadas ou minoradas. Aproveitámos tambem para resolver um desgaste excessivo nos escatéis das falanges de transmissão, uma vez que já tinhamos os semi-eixo "cá fora"...Assim que o torneiro entregou o material, começou a operação de montagem, e os planos eram simples: -
"Vamos ver se conseguimos montar tudo antes de almoço, porque ainda temos um motor de um Mercedes 280 SL para tirar do sitio"...
- "Ok, deve dar tempo..." lembro-me eu de pensar...Se eu soubesse o que me esperava...Até aqui tudo bem. Tudo referênciado e marcado, o trabalho corria "ás mil maravilhas", até deu para fazer as fotos com calma......sem deixar escapar nenhum aspecto e etapa da montagem......tais como as juntas "hand made" pelo famoso personagem "Bob, o construtor"....cuja habilidade, destreza e dedicação são apenas algumas das suas principais caracteristicas, e que parece conseguir remediar tudo, até mesmo o diferencial de um Ford A......manejando qualquer ferramenta com eximia habilidade e precisão......levando sempre a cabo as mais dificeis tarefas......que a qualquer outro fariam pensar várias vezes se tambem o conseguiriam......sobretudo com um sorrisso daqueles!!!
Minhas Senhoras e meus Senhores, o unico e inigualável: "Bob, o construtor"
Reparem bem na figura, na pose e ..., nas jardineiras! O Rafael teve a feliz ideia de me aparecer á frente com umas jardineiras novas, mesmo ao jeito do Bob...
Estava mesmo a pedir para ser baptizado...Eu sei os riscos que corro em publicar isto aqui, assim desta forma simples e verdadeira, mas não resisto. Parece mesmo:" Bob, o construtor"
Vou ver se lhe arranjo um chapéu de plástico daqueles das obras para completar o ramalhete...Bem..., com ou sem Bob, o trabalho foi andado, mas não ficou pronto antes do almoço, e por pouco antes do jantar tambem... ...porque apesar de termos remontado o eixo todo, faltava ainda montá-lo no sitio......o que correu com relativa facilidade até aqui! Aviso importante: Quando montarem um diferencial traseiro de um Ford A, tenham sempre em atenção que o fazem num dia de boa disposição e paciência, ou correm o risco de não acabar o trabalho assim de qualquer maneira...Ponto da situação: Diferencial armado e montado no sitio. A mola semi-eliptica invertida que garante a suspenção traseira já estava montada no lado esquerdo do carro, e o lado direito estava quase, mas faltava o "quase"...
A solução era óbvia, mas muito dificil de excutar. Os especialistas em Ford A conhecem o termo "rear spring contractor", ou seja: contractor da mola traseira. Eu vi a designação dessa peça no catálogo, mas não lhe dei importância nenhuma. Aliás, nem percebi para que seria preciso um contractor para montar aquela mola, mas a verdade é quando ela foi desmontada, reparámos que ela saiu com com um estalo, sinónimo de grande tensão...
O que se passou foi o seguinte: A distância que separa os pontos de montagem do brincos de mola do diferencial é muito superior á da mola em si, e para conseguir montar a mola no lugar, é necessário espalmá-la até ser possivel montar o brinco. Dito assim parece fácil, mas exprimentem fazer isto a uma mola de seis folhas e depois digam-me o que acharam...
Tivemos que improvisar com umas cintas e uns calços de madeira para conseguir dar a volta ao assunto...
...mas conseguimos! Tambem descobrimos que a capacidade daquelas cintas é muito superior á que alguem consegue imaginar. Se não partiram naquele dia, nunca mais partem!!!Reparem na nossa "engenhice"...
Se aquela cinta partisse nequele momento, o Rafael teria um Ford A a fazer de campanário em cima do telhado, mas podem ter a certeza de que tinha mesmo...Restou encher de valvulina, o que após uma demanda daquelas, resultou numa "chafurdice" de primeira. Cansados, admirados e contentes por termos conseguido montar tudo, já passava das 22 horas e nem rodas tinha ainda, pelo que concordámos que o melhor seria deixar o teste de estrada para outra altura...
Como disse no inicio do post, aproveitei a hipotese como se fosse a ultima, o que quase garanto que foi, mesmo sendo o carro do "Bob, o construtor"...
Lá diz o ditado: "quem se mete a tirar água, depois tem de dar á nora..."
RT

1 comentário:

O meu Datsun SSS disse...

Adorei essa do Bob o construtor, quendo tiver com ele já lhe vou partir a cabecinha toda.....ehehehehe

Quanto ao ditado, inverteste os ditos, ou seja, a versão correcta é esta: "quem se mete á nora, tem que tirar água..."

Abraços gajo.