quinta-feira, 3 de maio de 2018

Os clássicos e as pressas...

 Bom dia.

Mr.  Cock Robin...https://youtu.be/dRnNpLOhn1Q

Este é um daqueles post's que preferia não fazer, mas SOMENTE para ajudar a esclarecer a diferença entre o bom e o caro, (que tantas vezes determina o restauro ou a sucata para uma viatura), tenho mesmo que mostrar isto...
Começo por explicar que o objectivo do post é apenas esclarecer algumas duvidas, mas por outro lado é bom que estas "intervenções" sejam vistas por todo o tipo de proprietários, porque quando se restaura um carro antigo, mais do que a pressa, a qualidade deve ser o factor principal, e infelizmente nem os orçamentos mais elevados podem garantir que assim seja. Caro não significa bom! Depressa não significa bom!!! Por favor percebam isto! Um restauro bem feito acontece uma vez na vida, um restauro rápido pode acontecer várias...
Vejamos este exemplo. Este carro foi restaurado em menos de 4 meses, e passou dos 5 dígitos...
Segurança!!! "Economizar" neste ponto é sinónimo de problemas. Poupem na pintura, no rádio, nas jantes ou noutra coisa qualquer, mas lembrem-se que a segurança põe em risco o carro todo, o restauro que foi feito, a vossa saúde e a de quem andar convosco, assim como a de quem estiver no sitio errado à hora errada...
Corrigir erros antigos! Se vamos restaurar um carro, e se temos hipótese de corrigir reparações antigas, façam-no. Deixar ficar é ser tão responsável como quem fez antes...
 Adaptações! Por vezes temos que fazer adaptações, pois as peças pura e simplesmente não existem, mas na maior parte dos casos basta procurar ou esperar um pouco mais. Usar o que temos á mão nem sempre resulta, a não ser que sejamos algo "criativos" ou "inventores"...
 Sem explicação! Esta nem dá para perceber..., mas claro que não é assim que se faz. Lembrem-se que um restauro custa muito dinheiro, mais do que suficiente para que isto não aconteça...
 Atenção ao detalhe! Se não sabem, perguntem a quem sabe. Na prática até pode funcionar, mas é a mesma coisa que usar uma janela em vez da porta para entrar em casa. Serve, mas não é assim que se faz...O esticador do alternador não foi alinhado como deveria e ficou torcido devido ao esforço...
 Montagem!!! Leiam o que for preciso. Informem-se acerca das peças que devem usar. Neste caso poupou-se um espaçador e quatro parafusos naquela ventoinha, mas o respirador é que sofreu... Já mostro mais á frente... 
 A base!!! Comecem com algo bom e terão hipóteses de ficar com algo bem feito. Tapar não adianta...
 ...e deixar á vista ainda é pior...
 Num motor normal este tipo de carburador até pode servir, mas ajudava ter sido revisto...
 A pressa!!! Não façam as coisas á pressa. Correm o risco de ter que as fazer outra vez...
 Parafusos e anilhas!!! Lá porque serve, não quer dizer que é o parafuso certo. Demora mais tempo, mas procurem entender o que estão a fazer e as consequências de falhar. Poupar 2 minutos numa coisa tão simples pode significar muitas horas a recuperar os estragos...Aquele parafuso faz um esforço considerável quando o motor está em esforço ou a reduzir. Deveria ser bem mais comprido e não usar apenas dois fios ou três de rosca...
 Atenção outra vez!!! 8 não é igual a 4!!! E usar os correctos é melhor de que usar uns com metade do tamanho. Mais uma vez, é correr riscos desnecessários...Esta tampa segura o motor todo, e usar metade dos parafusos não é solução...
 Qualidade!!! Quando se ultrapassa a barreira dos 5 dígitos, a ultima coisa que se espera encontrar são peças de desgaste usadas... Isto já não acontece por acaso e começa a ser outra coisa... Não se "sujem" por uma coisa destas...
 Polegadas!!! Milímetros não são polegadas. Por favor, interiorizem isto! Moer roscas por não ter parafusos é escusado. São baratos e arranjam-se facilmente!!!
 Mas nem tudo é mau! Um bom exemplo de cuidado com a qualidade e duração de um restauro. Pena serem tão escassos...
 Ainda nem vi, mas cheira-me que será outra "caixa de Pandora"...
 Duas velas de cada??? Era assim tão urgente?
 Cá está o tal! Assim já cabe. Por causa de uma peça de 10 euros, estraga-se uma de 30 ou 40...
 Conhecimento! Todos nós temos coisas em que somos melhores e outras em que podemos aprender um pouco mais. Perguntar é sinal de inteligência. Pensar que sabemos tudo é outra coisa qualquer...
 Facilitar! Quando temos margem para fazer tudo bem feito, mais vale fazer. Mesmo onde ninguém era para ver...
Porque mais tarde ou mais cedo, aparece!!

Este post é APENAS para mostrar o que faz a pressa ou a falta de rigor. Gastar rios de dinheiro não significa necessariamente ter algo bem feito. Pode ser apenas uma forma disso mesmo: gastar dinheiro. Lembrem-se que quando procuram o bom, dificilmente encontram o rápido e o barato no mesmo sitio...

Abraço. RT

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Depois do dilúvio...

 Boas!

Jethro Tull...https://youtu.be/B0jMPI_pUec


Com motores abertos por tudo o que é oficina...
 ...não há tempo nenhum para pensar. Tal como em competição, a "equipa" tem que estar "toda" em perfeita sintonia...
 ...com o máximo de cuidado nos detalhes, que podem ser mais de 1275 coisas diferentes...
 ...para garantir que nada, mesmo nada..., possa falhar! É um percurso de 1098 passos...
 ...até conseguirmos superar o nosso próprio Rekord...
...para garantir que nada vá por agua abaixo...
 ...caso surja alguma distracção ou imprevisto...
...ou lá teremos que voltar ao inicio mais uma vez....

Ainda assim acho que não nos podemos queixar muito do que temos conseguido, uma vez que só temos um mecânico, um bate-chapa, um pintor, um preparador, um electricista, um estofador, um orçamentista, um estagiário, um recepcionista, um responsável pelas peças, um contabilista, um assistência externa, um telefonista, um engenheiro e um chefe! 
E é que mesmo assim com tantos, ás vezes ainda pareço tão pouco...

De vez em quando temos que nos rir de alguma coisa, porque mesmo em pouca quantidade, um bocadinho de humor faz sempre bem á alma...
Com calma isto até vai...

RT


terça-feira, 3 de abril de 2018

Cross drilled - Tão simples e tão eficaz...

 Boa noite.

Harvest Moon..., Mr. Neil Young...https://youtu.be/n2MtEsrcTTs

Apesar do pouco tempo tão característico do meu dia dia, de vez em quando, lá vou dando a volta aos tais motores "esquecidos" que andam por aqui... Hoje calhou a um "velho conhecido" meu, que por estar parado há já tanto tempo, já pouco ou nada me lembrava do que se tratava. Tinha quase a certeza que era algo "fora do comum"...
Assim que a tampa saiu, fiquei ligo mais bem disposto. Tantos anos (e abusos...) depois, este 1275 ainda tinha tão bom aspecto...
...e fiquei até algo espantado quando vi isto. Já nem me lembrava que fazia isto aos volantes assim há tanto tempo....
...e os sinais da "veteranice" não ficaram por ai..., Ultimamente tenho apanhado tantas "rafeirices", que ver uma cambota/volante com este aspecto até me faz desconfiar..., tão limpa..., massa cobreada..., sem marteladas ou marcas...., bom demais para ser verdade...
...e ainda por cima, uma embraiagem que saiu como manda o manual. Sem truques, falhas ou manhas..., simplesmente como tem que ser... 
...e até custa a acreditar que mais de uma década se passou desde que vi isto pela ultima vez. Quando montar pré A em cima de A+ ainda era "terreno instável"... 
...eu lá me desenrascava, e se por este lado era fácil, pelo lado do distribuidor electrónico já era mais traiçoeiro, e ainda que de uma forma meramente amadora... 
...nunca deixasse nada ao acaso. "Center oil pick up pipe" quando ainda eram novidade, pelo menos por cá..., e depois....
...,depois isto! Qualquer adepto mini sabe que AEG significa material bom. Neste caso umas bielas de "moentes pequenos"...
...mas também uma cambota "cross drilled", ou em português, "furação cruzada". Aqui convém explicar o que é que isto significa. Os furos de lubrificação das bielas (ou moentes de bielas...) nas cambotas tradicionais são apenas um por biela, e por uma questão de facilidade/custo de fabrico, são feitos na diagonal entre as chumaceiras da cambota (moentes/apoios de cambota...) e as de biela, mas, em elevadas RPM (rotações por minuto), sofrem um efeito de centrifugação tão grande, que pode levar o óleo a escapar-se com muita facilidade entre as peças, deixando as capas de biela e a cambota sem a lubrificação adequada. Para corrigir essa falha ( que destrói um motor em menos de nada...), a fábrica lançou para os modelos de maior performance ( Cooper S e 1300 GT's ((ADO16))...), as cambotas "cross drilled", que basicamente tinham dois furos de lubrificação em cada biela, mas em formato "T", ou seja, o canal original era atravessado por um canal perpendicular, e o furo central (topo do T) era tapado, eliminando dessa forma hábil, o efeito centrifugo que fazia o óleo desaparecer na pior altura... Geralmente, aliada a esta característica, havia ainda o facto de a maior parte destas cambotas serem fabricadas em aço especial (EN40B) e tratadas (nitradas com gás ((Nitrogénio numa base de Amónio)) e endurecidas com calor...) com um cuidado muito especial, uma vez que teriam mais possibilidades de trabalharem em regimes consideravelmente mais elevados. São facilmente identificáveis por terem dois furos de óleo em cada biela, como na foto de cima...
...e nesta. Reparem que ambas as fotos são do mesmo moente de biela, mas os dois furos estão em sítios diferentes da cambota.

Ainda não sei bem de onde veio este motor, mas não há duvida que me deixou com um sorriso muito maior, porque não é todos os dias que algo deste género nos passa pelas mãos. Já naquela altura (anos 60...) isto era pouco comum, quanto mais nos dias de hoje, ainda por cima em STD... 
Gostei...!!!

RT

sábado, 24 de março de 2018

Conversão de discos Metro para jante 10

 Bom dia.

Pearl Jam...: https://youtu.be/hbpUfWz-rlc

Hoje quero apresentar um assunto que, apesar de já amplamente debatido, parece estar novamente a levantar algumas questões, sobretudo ao nível da facilidade/utilidade que tem na prática: A conversão de discos de travão do Metro (sólidos) para jante 10, com recurso a pinças do Fiesta MK1.
Começo por explicar que nunca usei esta aplicação (mas apenas porque nunca calhou...), mas lembro-me de ser bastante popular em meados dos anos 90, quando os discos 1275GT/Cooper S não eram assim tão fáceis de encontrar como actualmente, ou talvez porque a facilidade de obter mangas de eixo Metro e pinças do Fiesta MK1 ainda era alguma...
Apesar de bastante diferentes, ambos os conjuntos possuem as mesmas características principais, como a furação das jantes e tipo de montagem nas braços de suspensão (no caso do Metro, só após receber as rótulas de 17mm dos Metros MK1 http://www.all4classic.pt/index.php?route=product/product&path=1_2_23_124&product_id=308), porque ao contrário do que tenho visto por essa net fora, as mangas de eixo dos Austin/Morris ADO16 (1100 ou 1300) não partilham a mesma furação das jantes e as rótulas (maiores do que as do Mini...) estão muito mais afastadas uma da outra, o que vai alterar bastante a geometria básica da suspensão e provocar Cambers muito duvidosos. Na minha opinião, se houver necessidade de adaptar uma travagem qualquer, a do Metro é o limite....
Contudo, também convém observar que adaptar as pinças do Fiesta nos cubos (mangas de eixo) do Metro também não é assim tão linear como isso, e apesar de não ser difícil de fazer, o melhor é sempre calcular muito bem os gastos da operação, porque nos dias de hoje, um kit de travagem de disco para jante 10 já não é assim tão caro ou sequer difícil de encontrar ...   http://www.all4classic.pt/index.php?route=product/product&path=1_2_23_124&product_id=1688
Para começar, convém definir o que queremos fazer, ou seja, instalar jantes de 10 polegadas na travagem Metro, e a melhor maneira de o fazer (outra vez, isto é somente a minha opinião...), é considerar as jantes originais de ferro, pois se estas jantes servirem, tudo o resto também serve, e dessa forma não ficam limitados a alguns modelos de jantes, que em muitos casos foram desenhados apenas com esse objectivo, mas que tornam a montagem dos pneus num verdadeiro pesadelo, porque essas jantes simplesmente não possuem o espaço interior necessário à montagem dos pneus, para que possam ser montadas em quase todo o tipo de cubos "adaptados", ainda que isso muitas vezes custe a vida dos próprios pneus quando estão a ser instalados, embora alguns entusiastas ainda considerem que mais vale comprar essas réplicas do que restaurar jantes antigas, só porque são mais "baratas"e são "iguais" ás originais... Enfim.., opiniões à parte...   
 ...o principal problema que temos que ultrapassar nesta operação é este: o espaço disponível entre as pinças e as jantes. No caso da travagem de 7" (Cooper 997& 998) ou na de 7,5" (Cooper 1275 S ou 1275 GT) é mais do que o suficiente para as tais jantes "normais"... 
                                      
 ...mas assim que tentamos os cubos do Metro, o caso muda logo de figura. As pinças do Metro simplesmente não cabem dentro das jantes... 
 ...e embora fosse muito melhor usar os 4 pistons por roda...
 ...o espaço disponível simplesmente não permite. É neste ponto que começam as alterações...
 ...que se por um lado parecem simples...
 ...por outro também têm alguns "truques" que convém prestar um pouco de atenção! Os discos do Metro (8,4") são quase do mesmo diâmetro interior da jante... 
 ...e assim que montamos as pinças Fiesta MK1, ficam ainda mais apertados...
...e apesar da adaptação das pinças nas mangas de eixo ser relativamente simples, exige alguns cuidados. Para começar, temos que alterar os furos originais da manga de eixo, (alargando o furo/rosca), para que o parafuso (da pinça Ford) passe á vontade e se possa apertar a pinça á parte de baixo dos suportes (lado do disco), a seguir será necessário rectificar/desgastar o suporte da pinça (entre as fixações) para que sirva livremente no cubo ( 3,5 a 4 mm devem bastar...)  e por fim temos que rectificar o diâmetro do disco do Metro de 8,4" para 8,1", ou seja, de 21,33cm para 20.5cm (aprox...), para que haja algum espaço entre os discos e as pinças. De seguida podemos verificar o alinhamento pinça/disco (montar as pastilhas Ford e experimentar o disco)...
 ...para garantir dessa forma o disco fica centrado nas pastilhas do Fiesta. O passo seguinte é montar tudo a valer e confirmar que todas as alterações estão bem feitas e funcionam na perfeição, sem que nada roce ou fique desalinhado. Por fim...  
 ...a questão dos tubos, que no caso do Fiesta são em milímetros. Aqui acho que não há muito a saber, pois basta fazer uns tubos com rosca em polegadas do lado do charriot e em milímetros do lado da pinça. Existem muitas casas que fabricam tubos (de preferência em malha de aço...) com qualquer tipo de especificação do cliente, e basta levar um tubo do mini e uma pinça do Fiesta para que o técnico saiba o que tem a fazer...
Mais uma vez, espero que o post tenha sido útil, e caso tenham alguma duvida, terei muito gosto em ajudar no que me for possível.

Nota: As fotos são meramente ilustrativas e nenhum alteração (ou limpeza...) foi feita nas peças usadas no post, mas assim que possível, farei um conjunto funcional para poder mostrar tudo em pormenor.

RT