sábado, 22 de setembro de 2007

Datsun 120Y - Veios de transmissão, falanges e muita confusão...

Hoje a parte da manhã foi dedicada ao 120Y do André. O carro foi comprado há uns meses e desde logo acusou uma vibração na transmissão. A barreira dos 80 km´s/h parecia a entrada em velocidade "Warp", pois todo o carro estremecia de alto a baixo com uma intensidade que deixava adivinhar que o problema seria o veio de transmissão empenado ou pior ainda...Assim que metemos a traseira no "ar", foi só engrenar a 4ª e verificar o que se iria passar...O veio de transmissão, enquanto rodava, fazia um movimento de oscilação de aproximadamente 5mm para cima e para baixo e o conta-quilómetros marcava apenas 20km/h, imaginem agora a 80...Por termos duvidas em relação ás cruzetas, óptamos por trocar de veio e foi aqui que começaram as novidades...O veio que tinhamos para trocar era de uma carrinha SunnyB310, e apesar de ser igual, teimava em não encaixar na falange do diferencial. Após inspeccionarmos tudo com atenção, descobrimos que a falange tinha sido modificada (á direita na foto), e não deixava que o veio encostasse como devia. Fomos buscar a falange da B310 e descobrimos que as estrias eram mais largas. E ainda dizem que é tudo igual... A solução foi encontrada num diferencial de um 1200 que andava por ali perto, mas na hora de montar, descobrimos isto: As estrias são iguais, mas a furação que segura o veio é diferente. Dois a zero para o Datsun...Perto da hora do almoço o panorama era este: três falanges diferentes, dois veios que não serviam, um carro desarmado e uma solução que não aparecia. Para ajudar á festa, os veios de 1200 ( que eu tenho a certeza que tenho algures...) estavam tão bem guardados que não os encontramos em lado nenhum, e precisavamos de um... Parecia dificil de resolver, mas não foi. Bastou ligar para o meu irmão (maniaco dos 1200 ???) e pedir um emprestado para exprimentar. Resumindo: Um veio de um 1200 com a falange de um 1200 foi quanto bastou para eliminar a tão indesejada sensação "Warp". Apesar de ter um rolamento a "cantar", o diferencial estava agora muito mais sossegado, e o carro já começava a parecer um Datsun, "pianinho" sem "tremeliques"...
Para já, esta foi a solução, mas brevemente vamos reparar o diferencial como deve ser e corrigir todas as anomalias que possam existir.
Há várias lições a tirar deste dia: Primeiro é preciso gostar destes carros (antigos) para os arranjar em condições, caso contrário estamos a "atamancar"; Segundo: lá por serem todos Datsun, não quer dizer que seja tudo igual entre todos (sinceramente, eu tambem achava que dava tudo uns nos outros...) e terceiro: é nestas alturas que verificamos que todas aquelas peças velhas e ferrugentas que guardamos teimosamente no sótão, servem para para alguma coisa..., nem que seja para desenrascar alguem, que tal como nós, teima em ir mantendo o "velhinho" na estrada...
Boas curvas para o André e obrigado ao Sérgio pelo veio do 1200.
RT



terça-feira, 18 de setembro de 2007

Pequenos, mas com grandes vontades...

Um automóvel pequeno, é quase sempre sinónimo de automóvel limitado ou fraco, mas por vezes, surgem pessoas que teimam em mostrar ao mundo que dos fracos tambem reza a história. Ora vejam...Pequenito, mas cheio de "musculos"...
Grande??? Não basta sê-lo, há que parecê-lo...
Tambem os há multifacetados...
...cheios de acessórios uteis e exclusivos...
...e capazes de passar por cima de qualquer situação...
...nunca ficando atolados...

...e sempre com um aspecto de carro de corridas...
...do tipo "Wacky Racers"...
...apelando sempre ao uso de combustiveis ecológicos...
...para superar as amarguras do trânsito caótico das cidades...
...mantendo sempre um sorrisso e o aspecto de um verdadeiro automóvel.
Pequenos grandes carros..., que seria de nós sem eles???

RT




terça-feira, 11 de setembro de 2007

Mini Moke - O Renascimento

Foi em 1987 que este Mini Moke 1000 viu a rua pela primeira vez. Originalmente pintado de preto, com capota e assentos brancos, hoje vive com a esperança de voltar a rolar por essas estradas fora. Vinha todo montado e a unica peça que faltava era a capota completa, que entretanto já foi substituida por uma nova, mas desta vez em material preto. O Moke tem sido o patinho feio da C.C.G, cedendo sempre a sua vez em prol de outros carros que por aqui vão passando, já lá vão mais de dois anos..., talvez seja desta!!!Sem podres, a carroceria vai sofrer algumas alterações, sobretudo nos farolins traseiros e pára-choques...
O cor preta tambem vai dar lugar a outra e as jantes serão umas "Cobra" de 12 x 6" polidas...
Ideias são mais que muitas e vontade tambem, resta saber se orçamento aguenta as duas coisas...Sempre que houver novidades, vocês serão os primeiros a saber. Go Moke...
RT


quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Motor novo para o Mini - continuação

Já com o bloco todo armado, hpje começamos a montagem da cabeça e dos outros acessórios do motor, mas mesmo assim tivemos alguns pequenos contratempos...Com os pernos no sitio, era altura de montar a cabeça...
...e ela ai vai...... juntamente com o veio de martelos, que levou um veio novo que vinha com o kit do motor......e cá está o primeiro contratempo. Ao montar o veio de martelos, os balanceiros tinham uma folga de 1cm das válvulas, sinal que algo estava mal. As varetas que estávamos a usar eram as do motor 1000 e quando as comparamos com as de um 1275, verificámos isto...,Pois é..., toda a gente sabia, mas ninguem se lembrou! Tudo bem, foi só trocá-las e o trabalho seguiu em frente......com a montagem da bomba de agua e do termostato......e ainda antes do almoço, era este o aspecto do motor. Estava quase pronto para ir para o sitio dele......e foi o que aconteceu. Com as energias reforçadas, o trabalho até correu melhor. O motor entrou suavemente e ficou tudo bem á primeira. Esta operação neste carro, requer procedimentos um pouco diferentes do Mini mais antigo, pois aquele servo-freio no lado da embraiagem "rouba" espaço de manobra, e por esse motivo, o motor é montado no sitio sem o apoio do lado direito, sem o motor de arranque e até o suporte do filtro do oleo só entra depois de ele estar lá dentro. São centimetros preciosos que se ganham com estes pequenos truques......e depois é só começar a montar o que falta. Por uma questão de hábito, prefiro começar sempre pelos apoios, porque entendo que se o motor está no sitio, deve estar fixo. Isto permite retirar a grua do local e apesar de não ser o caso do Mini, há carros onde o motor pode mesmo cair para o chão (ou em cima de alguem...) se estiver apenas pousado nos apoios. As transmissões, o comando da caixa de velocidades e o escape são os clientes seguintes, ficando então disponivel para tratar dos promenores......e era já noite quando parámos. Não ficou pronto, mas já falta menos. Carburador e afinações são o que faltam para por a trabalhar. Ainda esta semana devemos ter carro...
Este tipo de trabalho não deve ser feito tipo "contra-relógio", porque o risco de alguma coisa correr mal é muito maior. É sempre preferivel demorar mais um dia ou dois e fazer as coisas com calma, apesar da vontade e ansiedade de ver o resultado.
RT

domingo, 26 de agosto de 2007

Mini Clubman - O Hydroelastic (continuação)

Apesar dos esforços, o Clubman do Julio chumbou na reinspecção. Estava tudo bem com excepção para a suspenção da frente direita..., outra vez!!! Não adiantou muito recarregá-la, pois na máquina continuava a acusar 45% de diferença entre eixos, o que equivala a uma anomalia de grau 2...
Como não vale a pena chorar sobre o leite derramado, voltamos á oficina e fomos resolver o assunto, ou pelo menos tentar..., até porque havia por lá um elemento de hydroelastic usado para trocar pelo que estava arrebentado.Após descarregar a suspenção (a operação mais fácil nestes Minis...), desliga-se o tubo do elemento......e depois de desmontar o braço superior da suspenção, ficamos com este panorama. A peça que está no lado direito serve de batente ao elemento no caso de ficar descarregado, garantindo que não salta do sitio acidentalmente. É preciso desmontá-la para o sacar......desapertando os dois parafusos que a fixam ao charriot. É aconselhável usar uma boa chave para não tornar uma operação de 30 segundos numa de uma hora, porque se moerem os parafusos, não haverá muito espaço para manobras de salvamento. Se corre bem, é óptimo, mas se corre mal, é mesmo muito dificil de resolver......e com o batente fora do caminho, é altura de tirar o elemento em si. Convem relembrar que o elemento tem quatro apoios de fixação que só se libertam se o rodarmos no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio. No caso de estar "agarrado" (quase de certeza...) o truque é usar uma chave de filtros para ajudar......e pronto! Saiu do sitio! Agora é só tirá-lo para fora e montar o outro pela operação inversa......sem esquecer o fole inferior. Eu prefiro encher a suspenção sem o montar, porque só assim é possivel confirmar que o cone de aluminio que suporta rótula e encaixa na borracha do elemento, ficou no sitio certo.E já está!!! Agora é só encher, dar uma volta e nivelar. A 2ª reinspecção dirá se o trabalho valeu a pena ou não...
RT

sábado, 25 de agosto de 2007

Motor série A - Distribuição afinável

O motor série A ou A+ usado nos Minis, sempre foi muito limitado pela sua fraca capacidade de "respiração", ou seja, o ar que entra e sai do motor, está muito restringido pelas condutas da cabeça, pelos colectores e principalmente pelas válvulas. Uma das maneiras de melhorar este aspecto é obrigar as válvulas a abrirem mais e durante mais tempo, quer através da substituição do veio de martelos standard por um que tenha um rapport maior ou substituir a arvore de cames (comando das válvulas) por uma que tenha os perfis necessários para as exigências.
No caso da arvore de cames, o ponto de comando é regulado pelos carretos da distribuição que assegura a posição correcta e rigorosa das válvulas em relacção á cambota durante o ciclo do motor. Qualquer falha neste aspecto custará potência e em certos casos, o resultado final pode ser pior que o original. Os carretos simples podem originar falhas de 16º, o que vai custar uns 10 HP's...
Uma das soluções mais usadas são os carretos afináveis, pois permitem uma afinação extremamente rigorosa do comando da A. cames. Neste caso vamos usar o da KENT CAMS como exemplo, mas existem mais marcas e sistemas disponiveis no mercado.
Após instalar a A. cames, devidamente lubrificada e com tuches novas, com a ajuda de um comparador, vamos encontrar o P.M.S (ponto morto superior) do excêntrico da admissão do primeiro cilindro (lado da distribuição). Ainda sem os carretos montados, roda-se a A.cames á mão até o manómetro não indicar movimento durante a rotação. É necessário ter alguma sensibilidade nesta fase.Com a A.cames no P.M.S., vamos repetir a operação para a cambota. Através do manómetro, vamos encontrar o P.M.S do primeiro piston (lado da distribuição)
Com a cambota no P.M.S., instalamos a escala circular que vem com o kit de distribuição, e com um bocado arame preso no parafuso da tampa da distribuição, criamos uma espécie de "ponteiro" que nos vai indicar as leituras da escala. Ainda sem mexer na cambota, posiciona-se a escala na marca de T.D.C (top dead center, ponto morto superior em português...), e á mão, aperta-se o parafuso da polie até fixar a escala no sitio. Garantir que nada se mexeu do lugar.Voltamos a montar o comparador na vareta impulsora do excêntrico da admissão do primeiro cilindro, e com a ajuda de uma chave de fendas, rodamos a cambota até encontrarmos novamente o P.M.S. da A.cames


Nota: O movimento final deverá ser feito no sentido normal de rotação do motor para garantir a tensão absoluta da corrente da distribuição, pois apesar de dificil, no caso de ter existir um tensor, poderão tambem existir folgas...


De seguida, aliviam-se os parafusos do carreto grande, e roda-se a cambota até aos valores indicados pelo fabricante da A.cames, neste caso 106º. Com a cames e a cambota no sitio, podemos apertar os parafusos do carreto e rodar o motor para verificar se ficou tudo em ordem.


Se tudo correu bem, acabamos de afinar a A.cames com exito e vamos tirar partido de todo o seu potêncial, podendo considerar o dinheiro gasto na operação como bem empregue.
Na foto está o que aconteceria se tivessemos usado carretos normais. Reparem na diferença de alinhamento entre o "escatel" da A.cames (que está afinada para o sitio certo) e a caixa do carreto. A unica hipótese de montar esta distribuição, seria atrasar a A.cames até encaixar no carreto, e após termos verificado no que resultava, obtivemos uma leitura de 110º. Para o condutor normal, isto não seria grave, mas para quem procura toda a potência que puder encontrar, isto significava meia duzia de cavalos perdidos.
Nota: As fotos são meramente ilustrativas e por esse motivo é possivel detectar incorrecções. No caso de uma montagem real, o tensor seria montado previamente.
RT


Motor novo para o Mini - Montagem da caixa-2ª parte

Já com o problema da tampa resolvido, a montagem da caixa seguiu como estava previsto......, uma ultima verificação e está pronta a montar...
..., já com a caixa em posição, é altura de trazer o bloco..., tambem se pode virar o bloco de "pernas para o ar" e assentar a caixa. Há quem defenda que é mais seguro para as juntas. Visto ter uma grua de motores, opto sempre pela primeira, parece-me mais fácil..., e nunca tive problemas com as juntas, basta prestar atenção ao trabalho...
..., como por exemplo, neste sitio. Se alguma coisa correr mal, vai ser aqui! A borracha pode deslizar e ficar fora da posição, o que origina fugas de oleo e é trabalhoso de reparar, por isso, silicone quanto baste, que no final corta-se o excedente...
..., e pronto! Está fechado! Ainda com a silicone fresca, deve-se colocar a tampa da distribuição, sem esquecer os parafusos que fixam o tensor, porque só assim a chapa encosta na totalidade. Agora segue-se a distribuição e a cabeça...
RT

domingo, 19 de agosto de 2007

Motor novo para o Mini - A montagem da caixa

Com a chegada das ultimas peças, teve inicio a montagem do motor do Mini do Ricardo, neste caso a montagem da tampa da caixa de velocidades.Antes de montar o bloco "em cima" da caixa, é necessário afinar a folga do carreto intermediário, ou como é mais conhecido, "carreto maluco". Limpam-se as faces das tampas, monta-se a junta no sitio, o carreto é montado com as anilhas mais finas possiveis, e depois de apertada a tampa, mede-se a folga existente entre o carreto e as anilhas. A tolerância de fábrica varia entre os 0,08mm a 0,20mm!
Com a tampa lateral da caixa bem apertada, as laminas do "apalpa-folgas" devem entrar justas para que a leitura da folga seja a mais correcta possivel. Ao resultado obtido, retira-se o valor da tolerância e temos a medida que é necessário compensar...
Como as anilhas ensaiadas eram as mais finas de que que dispunha, agora é uma questão de encontrar uma ou duas mais grossas até a folga ficar dentro do previsto. A fim de evitar exprimentar uma por uma, usamos um micrómetro para as medir, e mesmo assim não encontrei anilhas que servissem, pois o desgaste nas tampas já era demasiado, mesmo usando juntas de origem, que são das mais finas que existem...
Apesar de termos montando as anilhas mais grossas que tinhamos, a folga ficava mesmo no limite da tolerância, e se tivermos em conta que ainda faltava a silicone na junta e que depois de rodar uns minutos a tendência é para alargar, optamos por retirar a tampa novamente e garantir que o trabalho fica feito com confiaça...
... e para que tal aconteça, apuramos o que era necessário rectificar na tampa para que os valores voltassem aos correctos. Entendemos que o ideal seria retirar 0,30mm e funcionar com anilhas das mais finas, e desta forma deixar a tampa preparada para o futuro. Esta é uma das soluções para compensar o desgaste que ocorre nos batentes das anilhas e não permite afinações. Esta operação é muito importante para a saude do motor, pois no caso de o carreto ficar demasiado folgado, o movimento lateral a que está sujeito, fará com que, mais tarde ou mais cedo, o veio acabe por romper a tampa de aluminio, o que originará uma fuga de oleo, ou na pior das hipóteses, os rolamentos de agulhas que o suportam acabam por partir, e os bocados que se soltarem, vão parar á caixa de velocidades, o que não é lá muito recomendável...
Assim que tiver pronta, a tampa segue para o sitio dela e nós estaremos cá para vos mostrar o resta da montagem...
RT